A nossa colega Salete Farias teve uma experiência muito bacana na #CPBR8, confira abaixo! 🙂

Olá, é muito bom estar de volta e escrevendo para o blog novamente! No post de hoje vou compartilhar uma experiência vivida na última edição da Campus Party, que aconteceu em fevereiro deste ano, a CPBR8. Essa experiência já virou texto pra Revista Espírito Livre, palestra e já está se delineando um novo desafio pra 2016.

Entre diversas atividades, como palestras e workshops, a CPBR8 também teve oficina pra colocar a mão na massa \o/, nesta oitava edição aconteceu pela segunda vez consecutiva a Oficina de Chão, um projeto envolvendo conceitos de Robótica, comandado pelo Alexandre Casemontro, conhecido pelos maiores casemods já apresentados na Campus, entre as suas criações, está o famoso Iron Man. Alexandre cria casemods personalizados e animatronics e está sempre disposto a difundir ideias e conhecimento, compartilhando com quem estiver disposto a aprender.

A Oficina de Chão é um projeto onde a ideia é colocar a mão na massa e criar um robô, a partir de materiais recicláveis onde os participantes usam toda a sua criatividade na personalização do seu robô e na programação. Eu participei da Oficina de Chão com 03 alunos, formamos uma equipe e partimos para os trabalhos de confecção do robô e da programação, as atividades aconteciam sempre após as 23h em todos os dias do evento. Descobri, ao final da oficina, o quanto a base é importante, não pensar nela de uma forma adequada fará toda a diferença quando seu projeto estiver pronto.

O que aprendi sobre a fase de personalização:

É importante ter em mente já de início, qual o formato que servirá de base para o robô e a partir dessa escolha, ter a possibilidade de adicionar ou não novas funções, fora a locomoção.

Uma base com dimensões pequenas pode ser uma má escolha, caso você precise conectar e desconectar cabos, sensores, trocar o microcontrolador, entre outras coisas. Confeccionamos uma base pequena e todos os componentes ficavam dentro do corpo do robô, o que gerou dificuldade para efetuar conexões na placa. Não é nada agradável ter que praticamente desmontar seu robô cada vez que precisar fazer esses tipos de intervenção.

Como personalizamos:

Usamos materiais simples, sem necessidades de ferramentas complexas, basicamente foram usados: papelão, tecido, tinta acrílica (de artesanato), pincéis, pistola de cola quente, palito de sorvete e copos de café.

O tema da Oficina de Chão foi Minions, isso mesmo, aqueles fofos ajudantes do Gru, do filme Meu Malvado Favorito. Como características marcantes, grossos óculos, variedade de quantidade de globos oculares e cor amarela.

A base do robô, com a placa da Robocore usada na fase inicial do Minion e ainda com as rodas feitas de garrafas pet

Arduino

Utilizamos Arduino para fazer a primeira programação do robô, o Arduíno é uma plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre, tudo numa placa só, que possui um microcontrolador com suporte de entrada e saída embutido. A linguagem de programação padrão é C/C++. Não precisa ser um programador experiente pra começar a criar projetos com Arduíno, com ele é possível criar ferramentas com baixo custo, flexíveis e fáceis de se usar. Trabalhamos com um Kit Básico de Arduíno que praticamente é composto pelos seguintes equipamentos:

  • Arduino
  • Roda livre, ou qualquer coisa que possa substituir isso
  • Leds para a personalização do Robo, de acordo com o que a imaginação permitir
  • Servomotor de Rotação Continua (ou ponte H mais 2 motores com redução)

Servomotor é uma máquina, mecânica ou eletromecânica, que apresenta movimento proporcional a um comando, em vez de girar ou se mover livremente sem um controle mais efetivo de posição como a maioria dos motores; servomotores são dispositivos de malha fechada, ou seja: recebem um sinal de controle; verificam a posição atual; atuam no sistema indo para a posição desejada.

Desafios:

Primeiro dia – criação: O Minion deveria andar para frente, para trás e desviar de obstáculos mudando sua direção. Para isso as rodas precisaram ser confeccionadas, usamos o fundo de garrafas pet para se adequarem aos equipamentos que iriam ser encaixados aos servomotores, depois de muitas experiências, as rodas acabaram sendo feitas de algumas camadas de papelão cortados no formato circular. Os olhos foram feitos com copos de café. E o robô foi criando forma.

Segundo dia – confecção + programação: dia de deixar a criatividade aflorar e começar a programação básica, usamos inicialmente a Placa Arduino BlackBoard – uma placa Arduino compatível fabricada pela empresa RoboCore aqui no Brasil. É bem similar às placas Arduino Uno R3 e Duemilanove, com algumas melhorias, no que diz respeito por exemplo a fornecer maior corrente em seu pino de alimentação, entre outras. Utilizamos o ambiente de programação e começamos os trabalhos, não sem antes fazer as conexões necessárias da placa Arduíno BlackBoard para fazer com que as rodas que iriam mover nosso robô funcionassem.

A partir daí foi tudo um novo aprendizado, só com as entradas existentes na placa conseguimos fazer apenas um dos servomotores funcionar, mas tínhamos dois. Como resolver esse problema? Foi então que conheci a linda Protoboard – que é nada mais nada menos que uma matriz de contatos utilizada para fazer montagens provisórias, e teste de projetos. É constituída por uma base plástica, contendo inúmeros orifícios destinados à inserção de terminais de componentes eletrônicos. Internamente existem ligações determinadas que interconectam os orifícios, permitindo a montagem de circuitos eletrônicos sem a utilização de solda.

Com a protoboard, eu poderia até aumentar o número de servomotores caso precisasse. Utilizamos algumas bibliotecas do Arduino para enviar os comandos à placa e o robô Minion começou a realizar seus primeiros movimentos.

As placas da Robocore e da Intel usadas na Oficina, ao lado da protoboard
 

Nos dias seguintes mudamos da BlackBoard para uma placa Arduino da Intel, a Galileo GEN2, e precisamos usar o ambiente de programação versão 1.5.3 por questões de compatibilidade, essa placa é uma versão melhorada da anterior, a Galileo, que é a primeira placa com pinagem padrão Arduino que possui um processador de arquitetura Intel. Essa placa é um projeto completamente open-source, com todo o esquema eletrônico e os detalhes da placa disponíveis para download. Provavelmente o primeiro hardware completamente open-source da Intel. A novidade do uso dessa placa na Oficina é que pudemos usar o Sonar, um sensor que permitiu ao nosso Minion desviar de obstáculos.

Robô minion já com o sonar de detecção de obstáculos
 

O CEO da Intel, Brian Krzanich comentou recentemente que a Intel prometeu distribuir gratuitamente 50 mil placas Galileo para 1000 universidades em diversas partes do mundo até abril de 2015. O que acabou acontecendo com todas as equipes que participaram da Oficina de Chão da Campus Party, onde cada líder de equipe ganhou uma placa, com uma missão de levar uma versão melhorada do Minion para a Campus de 2016. Ao todos foram confecionados em torno de 10 robôs, cada um com suas particularidades, sendo que todos foram apresentados à equipe da Intel que estava no evento e ao público em geral no sábado, último dia do evento. Uma experiência rica e inesquecível.

A placa Intel Galileo Gen2 usada no modelo final e a equipe de alunos
que trabalhou comigo na criação do Minion: Rodrigo Dornelles, Luis Augusto Oliveira
e Pedro Mendes, com a super colaboração da Daniela Rozados no primeiro dia.

Até a próxima.

Fontes:

Servomotor: https://pt.wikipedia.org/wiki/Servomotor
Arduino: http://playground.arduino.cc/Portugues/HomePage

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